16 setembro 2012

Entrelinhas.

casal beijando
Depois daquela noite nós nunca mais falamos de sentimentos abertamente. Pois é, muita coisa que poderia ter sido verbalizada não foi. Até hoje não sei se fui eu quem desistiu de falar ou você que desistiu de ouvir. De certa forma sinto que sua frieza me afetou um pouco. Enfim, os dias foram passando, se transformando em semanas, meses... E quando dei por mim já fazia um ano ou mais. A historia bonita seria exatamente essa: (Então a gente nunca mais se falou. Encaramos o fim como adultos que somos. Sem qualquer recaída ou arrependimento... Um dia eu o vi na rua, sentia que era o acaso trabalhando para que eu pudesse refletir sobre todos esses meses sem vê-lo. Eu sorri, e o cumprimentei. Abraçamo-nos durante um minuto ou mais... Parece pouco, mas foi o suficiente para que nós percebêssemos como fizemos as escolhas certas. Trocamos algumas palavras, frases curtas e quase automáticas. Não queríamos muitos detalhes sobre a vida um do outro. Eu tentei ser menos invasiva possível. Depois de perguntas e respostas previsíveis, você soltou algo meio previsível também.

_Tenho que ir, eu estou meio atrasado para um compromisso.
Eu suspirei aliviada por não ter que prosseguir com aquela conversa monótona e tanto quanto desagradável. Abraçamo-nos novamente e enfim soltei aquela típica frase de fim de encontro:

_ Bom te ver. Você categórico como sempre disse o mesmo.
Enfim a sessão passada acabou. Cada um voltou pro seu carro, pra sua casa, pra sua vida. Você que estava lindo como sempre, mas não tão sedutor, voltava para casa apressadamente para se arrumar para um compromisso sério. Logo após iria se encontrar com sua parceira pelo qual se orgulhava tanto de ter conhecido... Aquela que esteve te fazendo muito feliz nos últimos meses. Aquela pelo qual você esperou a vida toda, a sua escolhida. Do outro lado EU, aquela mesma moleca de sempre, correndo atrás dos meus sonhos, ampliando minha rede de amigos e conquistas, curtindo a vida. Ou somente vivendo-a sem pensar no futuro.
Ótimos roteiros, tudo seria exatamente como sonhamos. Esse final justificaria e fortaleceria o fato de não estarmos juntos. (Tínhamos visões diferentes, expectativas de vida diferentes, e cada um teria seguido a que mais lhe agradava.)

Agora vamos com a verdadeira historia: Já havia de fato, se passado um ano ou mais.
E não digo que os dias, as semanas, os meses e consecutivamente o ano teriam passado tão rápido assim. Foi triste, desgastante, me aterrorizou e me reprimiu... E essa historia de "Sem recaídas e Arrependimentos" não aconteceu também. Muito pelo contrario. Recaídas e arrependimentos ainda são constantes.
O fato de não falarmos mais de sentimentos não tem nada a ver com o fato deles não existirem mais, tem mais a ver com o fato deles estarem tão desgastados que é triste e tanto quanto desgostoso ficarmos relembrando como eram bons. Outra coisa que obviamente não aconteceu foi a falta de contato. Viramos a “isca” um do outro, o que talvez justificasse o fato de até hoje não termos conseguido nada que tínhamos em mente quando tivemos a brilhante ideia de que não daria certo do jeito que estava.
Um dos detalhes que me surpreendeu bastante é que sim, cada um de nos resolveu tentar justificar o porquê de não estarmos juntos. Você que se afogou em romances inúteis, previsíveis e totalmente sem futuro.
Eu por outro lado me afoguei em várias noitadas, abusei dos Drink's e quis de alguma forma fazer valer tudo que estava acontecendo.
Nos também não esperamos o destino nos colocar frente a frente, não refletimos, não justificamos os nossos motivos para termos desistido. Não fomos corajosos o suficiente pra cortar o "mal" pela raiz.
E para decepção dos leitores, termina justamente assim: Não tivemos verdadeiramente um fim. Temos sim, um FIM forjado, daqueles que a gente chega a ele pra mudar a rotina, pra mudar o roteiro. Agora um The End de verdade? Ah isso não foi feito pra gente.
Nossa vírgula que teria se tornado um ponto final, que mais adiante foram se acumulando tantos pontos finais que se tornaram reticências, eternas reticências... Eu sei, também fiquei frustrada, eu queria uma história bonita. Eu queria uma história adulta. Uma daquelas que a gente consegue se orgulhar ao contar. Uma daquelas que justificaria e fortaleceria nossas escolhas pelo simples fato de perceber que fizemos as escolhas certas. Mas não, nosso caso é diferente. Nos não nascemos pra fazer uma historia bonita. Nos não nascemos pra seguir o roteiro. Nos não nascemos pra ter um fim adulto, um fim digno.
Nos simplesmente não nascemos pra ter um FIM. (Lorena Aguilar)

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